A EVOLUÇÃO, OS BENEFÍCIOS E OS CUSTOS DE NOVAS TECNOLOGIAS SÃO APRESENTADOS EM SEMINÁRIO LIDE SAÚDE


Giovanni Cerri mostrou como a tecnologia revolucionou tratamentos e auxilia para a longevidade, mas ressaltou a necessidade de democratizar e baratear o acesso a esses tratamentos

O primeiro Seminário LIDE SAÚDE deste ano uniu, nesta quarta-feira, 23 de julho, a arte com a ciência para ilustrar o progresso da tecnologia para orientar condutas médicas, e apontou o desafio de democratizar o acesso e baratear esses tratamentos para todos os cidadãos. O professor da Faculdade de Medicina da USP e ex-secretário da Saúde de São Paulo, Giovanni Cerri, falou para um seleto grupo de médicos e especialistas do setor de saúde, reunidos no Auditório Gocil, sobre a Tecnologia a serviço da medicina preventiva e da cura.

Promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, presidido por João Doria Jr., e LIDE Saúde, liderado por Claudio Lottenberg, Cerri apontou que o grande conflito da saúde é o custo. Neste sentido, foi debatido entre os convidados até que ponto a tecnologia elitiza a saúde. “Quando a tecnologia se comprava eficaz, deve-se fazer um esforço para que fique disponível para toda a população”. É o caso do tomógrafo, que era muito caro, e hoje tem um custo acessível. “Precisamos encurtar o prazo de certificação da qualidade de novas tecnologias, este processo diminui os custos e agiliza sua implementação no sistema de saúde”, resumiu Cerri.

Segundo o especialista, nos últimos 20 anos houve a impressão de que a tecnologia resolveria todas as questões da medicina. Para Claudio Lottenberg “é preciso empregar o uso e não o abuso das novas tecnologias”. Ressaltou, ainda, a importância das universidades públicas e privadas para testar estes equipamentos, com o objetivo de diminuir o tempo de espera para o lançamento de uma nova técnica.

A tecnologia é decisiva para tratamentos menos invasivos e dolorosos, mas os novos equipamentos são ferramentas que devem ser utilizadas com responsabilidade, sem excluir o relacionamento entre médicos e pacientes. “O médico só é bom se for humanista. A família deve participar do tratamento”, recomendou Cerri.

Embora a tecnologia esteja cada vez mais avançada, o médico apontou a prevenção como a melhor saída para evitar doenças. Ter uma dieta saudável, diminuir a ingestão de bebidas alcoólicas e abandonar o cigarro, é uma receita antiga e sem custo para uma vida mais saudável e a longevidade. “Quando a sociedade decide, ela consegue convencer o coletivo a mudar os hábitos. Foi o que aconteceu com o cigarro. A mobilização do governo se uniu a força da população, que hoje passa a rejeitar o fumo, muito comum antigamente”, explicou Giovanni Cerri. E complementou dizendo que o desafio agora é para que as pessoas não fiquem doentes e que se ficarem, que sejam diagnosticadas com antecedência.

Doenças cardiovasculares, degenerativas e tumores ainda são grandes desafios da medicina. Cerri apontou que as doenças do coração são as que mais matam no mundo, que o Alzheimer pode ser diagnosticado, mas não curado e que tumores em estado avançado têm custo elevado e chances mínimas de sucesso no tratamento. “Precisamos diagnosticar tumores cada vez mais cedo e tratá-lo no nível celular, antes que se forme o nódulo; combinar tecnologias preventivas nuclear com radiografias; assumir condutas mais rápidas e menos invasivas”, enumerou. Para ele, o futuro da medicina está em equipes hospitalares integradas, como enfermeiros, nutricionistas, clínicos e até mesmo suporte de engenharia e informática em uma convergência tecnológica – todos conectados eletronicamente trabalhando em favor do paciente.

Judicialização da saúde é grande problema no País

Durante o seminário, um dos importantes pontos de debates foi a judicialização da saúde. O termo é utilizado para definir a ação movida por pacientes para resolver problemas de acesso a medicamentos, próteses e vagas para internação no SUS e hospitais privados, especialmente em pedidos médicos para novos tratamentos que não são cobertos pelo sistema de saúde pública.

Segundo Cerri, “a judicialização é um câncer na saúde brasileira. Fazer mecanismos para tentar furar as filas de espera ou trazer tecnologias ou remédios que ainda não são aprovados pela ANVISA é um risco para a saúde pública”. Apenas em São Paulo, se gasta cerca de 500 milhões de reais nestas ações.

“É um desperdício de dinheiro. Por volta de 70% dessas ações são movidas por pessoas que têm condições de pagar o tratamento”, afirmou o palestrante. E completou que um juiz não tem conhecimento técnico para definir um tratamento. Ao finalizar, reforçou a importância das universidades como um caminho para a solução do problema. Cidades como Rio de Janeiro e São Paulo contam com um time de especialistas para auxiliar os juízes nestas questões. Na capital paulista, apenas 1% dos magistrados recorrem a esse sistema. Os demais preferem decidir sozinhos.

O Seminário LIDE Saúde contou com o patrocínio da Amil, EMS, Hospital Albert Einstein e Siemens. Com apoio do Grupo Sigla, Intersystem e RV Ímola. CDN, Gocil e Truckvan são fornecedores oficiais. As rádios Band News e Bandeirantes, as revistas LIDE e LIDE Saúde e Bem-Estar e PR Newswire são mídia partners.
 

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